O Governo da Espanha decidiu prolongar até 31 de outubro de 2026 a campanha estatal de prevenção e resposta aos incêndios florestais. A ampliação foi anunciada pelo Ministério do Interior em 29 de setembro, após uma temporada classificada pelas autoridades como de extraordinária complexidade.
A medida mantém ativos os dispositivos de emergência enquanto o risco permanecer elevado em diferentes áreas do país. Iniciada antecipadamente em junho, a campanha foi estendida diante da persistência de temperaturas acima da média e de condições meteorológicas adversas, que prolongaram o período de perigo para áreas rurais e florestais.
Segundo o Ministério do Interior, até o momento foram confirmados 45 grandes incêndios florestais. O número representa o terceiro pior resultado da década. As ocorrências afetaram mais de 221 mil hectares, aproximadamente 80% de toda a superfície queimada na Espanha em 2026.
Temporada marcada por ocorrências de grande extensão
Entre os episódios destacados pelo governo estão os incêndios de Burgohondo, na província de Ávila, e os registrados em Villa del Prado e San Martín de Valdeiglesias, na Comunidade de Madrid. As chamas também avançaram em direção à província de Toledo, ampliando a complexidade territorial das operações de controle e proteção da população.
A decisão de manter a campanha até o fim de outubro não se limita à resposta a incêndios já registrados. O objetivo é preservar a capacidade operacional do Estado durante um período em que o risco ainda não diminuiu de forma significativa, permitindo a continuidade da coordenação entre o governo central, as comunidades autônomas e os serviços de emergência.
Durante os episódios mais graves, a emergência de interesse nacional decretada em julho mobilizou, ao longo de oito dias, 1.300 integrantes da Unidade Militar de Emergências. Também foram empregados 44 meios aéreos e 18 meios terrestres do Ministério para a Transição Ecológica, além de milhares de agentes da Guarda Civil e da Polícia Nacional.
Calor recorde aumenta pressão sobre o território
O contexto climático ajuda a explicar a extensão da temporada de incêndios florestais na Espanha. De acordo com a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), o verão de 2026 foi o mais quente da série oficial, iniciada em 1961, e também esteve entre os mais secos.
A temperatura média na Espanha peninsular chegou a 24,5 ºC, valor 2,4 ºC acima da média de referência do período entre 1991 e 2020. O cenário elevou a pressão sobre a vegetação e sobre os sistemas de prevenção, especialmente em regiões submetidas a longos períodos de calor e baixa disponibilidade de água.
A AEMET também registrou 61 dias sob condições de onda de calor no território peninsular e nas Ilhas Baleares em 2026. Conforme o balanço divulgado pela agência, esse foi o maior número observado em um único ano, reforçando a persistência de condições favoráveis à propagação das chamas.
Prorrogação mantém estrutura de prevenção ativa
Com a extensão do prazo, os dispositivos estatais permanecem preparados para atuar em conjunto com as administrações regionais caso novos focos ameacem áreas habitadas, infraestruturas ou zonas florestais. A estratégia inclui prevenção, vigilância, resposta operacional e apoio às comunidades afetadas por ocorrências de grande dimensão.
A campanha também tem impacto direto para moradores de áreas rurais e para localidades próximas a massas florestais. Mesmo após o encerramento dos principais episódios do verão, a manutenção das equipes e dos meios de emergência busca reduzir o tempo de resposta diante de possíveis novos incêndios e limitar os danos territoriais.
O prolongamento até 31 de outubro ocorre, portanto, em um cenário de risco prolongado, no qual as condições de calor e seca continuam influenciando a evolução dos incêndios. A decisão do governo espanhol reflete a necessidade de manter a coordenação nacional ativa até que os indicadores meteorológicos apontem uma redução mais clara do perigo.
